Biblioteca Camilo Castelo Branco VR

  1. Tertúlia com João Tordo

    Hoje, às 21:00, na Biblioteca




  2. Leituras reescritas

    Na área de exposições da Biblioteca










    “Vivi, olhei, li, senti, Que faz aí o ler, Lendo, fica-se a saber quase tudo, Eu também leio, Algo portanto saberás, Agora já não estou certa, Terás então de ler doutra maneira, Como, Não serve a mesma para todos, cada um inventa a sua, a que lhe for própria, há quem leve a vida inteira a ler sem nunca ter conseguido ir mais além da leitura, ficam pegados às página, não percebem que as palavras são apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é para que possamos chegar à outra margem, a outra margem é que importa, A não ser, A não ser, quê, A não ser que esses tais rios não tenham duas margens, mas muitas, que cada pessoa que lê seja, ele, a sua própria margem, que seja sua, e apenas sua, a margem a que terá que chegar…” 

    José Saramago, A Caverna



    A tristeza lusitana

    A tristeza lusitana
    Embala-a o choro do mar
    E às vezes tem um sorriso
    Irmão-gémeo de chorar.

    Tristeza antiga
    Tristeza amiga
    Do nosso luar.

    Tristeza de Portugal
    Baixo e terno soluçar
    A tristeza que é só nossa

    Tristeza nossa
    Nem por flores, nem riquezas,
    Nem por prendas sem igual
    Ninguém trocar-te quisera
    Tristeza de Portugal

    Nossa somente
    Doce mal
    Só de quem sente
    Mais suavemente
    Que outro qualquer.

    Tristeza como a tristeza
    D’algum leve passarinho
    Que chora co’o coração
    E aos pobres diz «coitadinho»

    Tristeza imensa
    Terna e intensa
    Do Algarve ao Minho.

    Tem saudade, e saudades
    Só as sente e mais ninguém
    Quem tem aquela palavra
    Para dizer que as tem

    O povo de Portugal
    Doa ou não ao seu mal
    Só ele o conhece bem.

    Ó mar que morres na praia
    Acasos mortos no mar
    Talvez que cantar cuideis
    A alma do nosso penar.

    Não sabeis, não o sentistes
    Lágrimas, dores e tristezas
    Só nós sabemos chorar,

    A tristeza lusitana
    Ninguém fala nela, não
    Senão nós □ que a sentimos
    Em lugar do coração.

    O nosso amor
    O nosso ardor
    Tristeza são.

    Fernando Pessoa, Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006



    Eis-me 

    Tendo-me despido de todos os meus mantos 
    Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses 
    Para ficar sozinha ante o silêncio 
    Ante o silêncio e o esplendor da tua face 

    Mas tu és de todos os ausentes o ausente 
    Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca 
    O meu coração desce as escadas do tempo 
    [em que não moras 

    E o teu encontro 
    São planícies e planícies de silêncio 

    Escura é a noite 
    Escura e transparente 
    Mas o teu rosto está para além do tempo opaco 
    E eu não habito os jardins do teu silêncio 
    Porque tu és de todos os ausentes o ausente 

    Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto 



  3. Dia mundial da língua materna


    21 de fevereiro


    Tema de 2018: Diversidade linguística e multilinguismo - predras-chave da sustentabilidade e da paz



     http://unesdoc.unesco.org/images/0026/002614/261472e.pdf
    Clicar na imagem para aceder ao documento


    As línguas, com suas implicações complexas para identidade, comunicação, integração social, educação e desenvolvimento, são de importância estratégica para as pessoas e para o planeta. No entanto, devido aos processos de globalização, estão cada vez mais ameaçadas ou desaparecem por completo. Quando as línguas se desvanecem, o mesmo acontece com a rica tapeçaria mundial da diversidade cultural. Oportunidades, tradições, memória, modos únicos de pensamento e expressão - recursos valiosos para garantir um futuro melhor - também são perdidos. Pelo menos 43% das 6000 línguas estimadas faladas no mundo estão em perigo. Somente algumas centenas de línguas realmente receberam um lugar nos sistemas educacionais e no domínio público, e menos de uma centena são usadas no mundo digital.

    O Dia Internacional da Língua Materna foi observado todos os anos desde fevereiro de 2000 para promover a diversidade linguística e cultural e o multilinguismo. As línguas são os instrumentos mais poderosos para preservar e desenvolver o nosso património tangível e intangível. Todos os movimentos para promover a divulgação das línguas maternas servirão não só para incentivar a diversidade linguística e a educação multilingue, mas também para desenvolver uma maior consciência das tradições linguísticas e culturais em todo o mundo e para inspirar solidariedade baseada na compreensão, tolerância e diálogo.

    Para promover o desenvolvimento sustentável, os alunos devem ter acesso à educação na língua materna e em outras línguas. É através do domínio da primeira língua ou língua materna que as habilidades básicas de leitura, escrita e numeracia são adquiridas. As línguas locais, especialmente as minorias e os indígenas, transmitem culturas, valores e conhecimentos tradicionais, desempenhando assim um papel importante na promoção de futuros sustentáveis.

    O Dia Internacional da Língua Materna também apóia o objetivo 6 do Objetivo 4 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (SDGs) : "Garantir que todos os jovens e uma proporção substancial de adultos, homens e mulheres, obtenham alfabetização e aritmética".


  4. Faça lá um poema

    Concurso









    Convite aos alunos


    O Plano Nacional de Leitura, PNL 2027, e a Fundação Centro Cultural de Belém, CCB, que todos os anos e com intenção de incentivar o gosto pela leitura e pela escrita de poesia, celebram o Dia Mundial da Poesia, vêm convidar-te a participar no Concurso FAÇA LÁ UM POEMA, que decorrerá entre fevereiro e março de 2018.
    Se quiseres participar, podes fazê-lo com inteira autonomia e independência ou, se achares melhor, podes pedir apoio e enquadramento na escola que frequentares, a quem vamos dar informação sobre o Concurso ‘Faça lá um Poema’ e que, certamente, vai ser nossa cúmplice neste propósito e vontade de tornar visíveis as palavras que te ocupam os dias e a tua verdade particular, a tua arte.

    Este concurso, de que terás ouvido falar anteriormente, é dirigido a concorrentes que sejam alunos do 3º Ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário de todas as escolas públicas e privadas do continente e ilhas. Ou seja, a ti, que gostas de ler e de escrever e que também gostas de dizer os teus textos em voz alta ou gostas de os ouvir lidos por outras pessoas.

    Vamos pedir a colaboração de um júri para ler os teus textos e os dos outros concorrentes, que os vai ordenar de acordo com critérios como a criatividade, a adequação morfológica e sintática, a riqueza do conteúdo, o estilo, a originalidade do tema.

    Tal como em edições anteriores, a apresentação pública dos poemas seleccionados terá lugar no Centro Cultural de Belém, no âmbito das comemorações do DIA MUNDIAL DA POESIA que se celebra a 21 de março de 2018. Aí podes ler o teu texto, dividindo com outros o brilho e o significado das tuas palavras.

    Neste dia vai evocar - se a escritora açoriana Natália Correia. Se assim entenderes, encontras nela um bom pretexto temático, a sua escrita é rica e diversa e quem sabe com ela encontras a inspiração de que precises.

    Continua a ler esta Defesa do Poeta, de que fica aqui a primeira quadra, e talvez encontres uma cúmplice perfeita para a tua sensibilidade:

    Senhores jurados sou um poeta
    um multipétalo uivo um defeito
    e ando com uma camisa de vento
    ao contrário do esqueleto

    Sou um vestíbulo do impossível um lápis
    de armazenado espanto e por fim
    cespero viver dentro de mim
    (...)

    [‘Poesia Completa’, Natália Correia]


    Os poemas a concurso devem ser enviados para o PNL2027, em formulário próprio do Sistema de Informação do PNL2027 (SIPNL) onde constam os elementos de identificação dos concorrentes, até ao dia 26 de fevereiro de 2018.

    Para acederes ao formulário disponibilizado no Sistema de Informação do PNL2027, contacta a professora coordenadora da BE.




  5. Dia internacional das mulheres e meninas na ciência | Mensagem




    Mensagem do Secretário Geral da ONU, António Guterres

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