Biblioteca Camilo Castelo Branco VR

  1. Mês Internacional das Bibliotecas Escolares: MIBE 2021

     



    Outubro é o Mês Internacional das Bibliotecas Escolares (MIBE), uma celebração anual das bibliotecas escolares em todo o mundo, uma oportunidade para darem a conhecer o trabalho que desenvolvem e mostrarem que não são apenas um serviço, mas um centro nevrálgico vital nas escolas. A chamada à ação é da IASL (International Association of School Librarianship).

    Em Portugal, o Dia das Bibliotecas Escolares assinala-se na quarta segunda-feira do mês de outubro, em 2021, dia 25/10.


    Tema do MIBE 2021: “Contos de fadas e contos tradicionais de todo o mundo”


    "O tema do MIBE é baseado no tema da Conferência da IASL de 2021 “Uma rica tapeçaria de prática e pesquisa ao redor do mundo.” A expressão “Era uma vez…” transporta-nos imediatamente para o mundo mágico dos livros, através do qual partilhamos a vida de fadas, duendes e muito mais. Existem histórias que foram transmitidas há muito tempo, de geração em geração, e que nos ensinam sobre os valores humanos e a cultura. Vamos ligar-nos e aprender mais sobre diferentes países de todo o mundo, através das histórias.




    Cartaz da IASL. Chhavi Jain, India.


    Este ano, convidamos a pensar e celebrar a ligação entre livros, leitura, bibliotecas escolares, contos de fadas e contos tradicionais. Esperamos que o MIBE 2021 seja uma celebração mundial criativa e imaginativa da biblioteca escolar. O tema pode ser interpretado de várias maneiras, mas seja qual for a forma que escolhermos, ele enfatiza a importância das bibliotecas escolares."


    Mês Internacional da Biblioteca Escolar (MIBE). (2021). Retrieved 21 September 2021, from https://www.rbe.mec.pt/np4/MIBE.html


  2. Escrever

     


    Estás de facto sozinho. Os ruídos da casa desapareceram. A presença dos outros desapareceu. O tempo é apenas um ponteiro que não aponta nada ou aponta mil caminhos, o que é a mesma coisa. E o caminho não passa de um vazio cheio de sons que se torna necessário encontrar o único som autêntico, o som inicial, a tua voz oculta por mil ecos aliás indecifráveis ou aparentemente sem nexo.



    Ilustração: Susa Monteiro




    Aos cinco anos a minha mãe ensinou-me a ler e passadas semanas comecei a ensinar-me a escrever, trabalho que continua porque, às vezes, sou um aluno difícil de mim mesmo e tenho que estar constantemente a meter-me na ordem. Apresento-me as páginas, respondo

    – Ainda não é isso

    e começo de novo até me ordenar

    – Volta a fazer

    de modo que torno à mesma frase, danado comigo, furioso que ser espontâneo dê tanto trabalho como dizia o Manel da Fonseca. Não trabalho na quinta ou na décima versão, trabalho para conseguir a primeira, 
a única que interessa e que, às vezes, surge depois da oitava, outras no meio da décima sétima, outras ainda, mais frequentes, não surge nunca. Um livro é um milagre estranho, com regras por vezes aparentemente contraditórias, ou absurdas, ou as duas coisas juntas, o sucesso e o fracasso sempre indistintos, a solução questionável, o resultado aleatório e a qualidade duvidosa. Se calhar o máximo que é possível não passa de uma satisfação transitória: portanto relê, relê, relê, volta ao início, principia de novo: trabalhas no escuro, à espera de uma pequena luz que tarda em chegar. Como Hipócrates dizia acerca do trabalho do médico, a Arte é longa, a Vida breve, a experiência enganadora, o juízo difícil e a oportunidade fugidia. Mas, se não fosse assim, que interesse tinha? Nada é vulgar, tudo é excepcional. Escreve outra vez. Tenta de novo. Como dizia 
o meu amigo Eugénio isto é um ofício de paciência e o escritor não passa de um relojoeiro das emoções, digo eu, a tentar fazer coincidir os ponteiros da alma com os do tempo. E o livro uma natureza-morta de emoções. Sopra-lhe vida, tu. Sopra-lhe tudo o que és, segundo a técnica de Deus com o barro inicial. Faz as personagens de uma costela tua, dá-lhes o teu tamanho e a tua esperança. E tenta transformar a vitória numa gloriosa derrota. Até agora, no trabalho em que estou, suado e aflito, consegui dois capítulos. Talvez o primeiro me sirva de apoio, talvez tenha começado a voar no segundo. Como voar agora? Como dar a isto a dimensão de um homem? Gloriosas derrotas? Goethe sustentava que não alcançar era a nossa única grandeza. De modo que a vitória possível é uma resplandecente humilhação. Com isto bem presente talvez possas continuar. Talvez o dedo da tua mãe te auxilie, apontando um espaço branco no livro de leitura:

    – Diz-me esta frase aqui

    de modo que repete em voz alta para ela as palavras que começam a lá estar, e surgindo devagarinho, uma após outra, da brancura do papel. Continua a avançar tacteando, continua a avançar. Espera por ti na esquina de uma página, tropeça, levanta-te, não pares. Já tens 
o título do livro, as cores dele, uma espécie de clima que começa a ser-te familiar: é o teu rosto de homem nu e desfigurado, o melhor que podes conseguir é o teu rosto vivo e, nele, todos os rostos da tua vida, até ao último, que só terás quando não puderes ganhá-lo porque já não és e, ao não seres, continuas. Goethe ainda: é o não chegares que faz a tua verdadeira grandeza. E então pede

    – Mais luz

    como ele fez ao morrer. Pede

    – Mais luz

    enquanto te transformas em trevas que têm a forma do teu corpo. Depois levanta-te e continua sozinho dado que ninguém te ajuda. Estás de facto sozinho. Os ruídos da casa desapareceram. A presença dos outros desapareceu. O tempo é apenas um ponteiro que não aponta nada ou aponta mil caminhos, o que é a mesma coisa. E o caminho não passa de um vazio cheio de sons que se torna necessário encontrar o único som autêntico, o som inicial, a tua voz oculta por mil ecos aliás indecifráveis ou aparentemente sem nexo. Tudo é irreal, tudo é misterioso e é necessário transformar esse tudo num fiozinho, quase invisível, de água pura. Um livro não é o que está escrito nele, é o que está escrito em ti, um livro é o teu sangue ao longo das páginas. O teu sangue, o teu olhar e o teu gesto, como queria Rilke, tornares-te um pássaro quase mortal de alma, o título que pretendes dar ao que agora escreves e encontraste numa elegia do Duíno, como um grito do Poeta enterrado na água. Não como: o grito

    (sem como)

    do Poeta enterrado na água e, com esse grito usado como bengala na mão, caminha ao teu próprio encontro, que é tudo aquilo que poderás achar, ou seja um infinito nada com vozes. Escuta-te. Tropeça na tua sombra e escuta-te porque tens que deixar de escutar-te para poderes ouvir. E então as palavras principiam, uma a uma, a chegar. Ninguém desce vivo de uma cruz, a não ser que já haja nascido. Ainda estás, ainda és. A tua mãe chama-te com um livro aberto nos joelhos, ela que explicava tão bem a forma como ensinara os filhos a lerem. A gente ia e vinha e ela continuava à espera, ela, uma rapariga de vinte e tal anos com todas as palavras deste mundo no colo, quietas, prontas a correrem para ti ao aprenderes-lhes os nomes. Escrever é nomear apenas, uma tentativa de ordenação do confuso vazio interior, és tu a aproximares-te de ti mesmo. Digo isto e ilumino-me dos olhos verdes dela, à minha procura entre o seu sorriso e o mundo. Ocupava tão pouco espaço e no entanto a vida inteira cabia-lhe lá dentro. Vieste dali e é a esse ali que tens de voltar. Diz

    – Mãe

    porque aliás nunca te foste embora. Pois não?

    António Lobo Antunes. Visão | Escrever. (2019). Retrieved 14 September 2021, from https://visao.sapo.pt/opiniao/a/antonio-lobo-antunes/2019-02-22-escrever/


    (Crónica publicado na VISÃO 1354, de 14 de fevereiro)


  3. Literacias cívicas e críticas

     




























    Título: Literacias cívicas e críticas: refletir e praticar 
    Autoras: Maria José Brites, Inês Amaral & Marisa Torres da Silva 
    Editora: CECS - Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade Universidade do Minho Braga. Portugal
    ISBN: 978-989-8600-88-2 
    Capa: Fotografia: Faizal Sugi | Composição: Pedro Portela 
    Formato: eBook, 186 páginas 
    Data de Publicação: 2019, novembro




    "Este livro reflete preocupações científicas das três editoras da obra. Existe um traço comum, a ligação ao jornalismo e à democracia, e o seu cruzamento com as literacias críticas, impossíveis de considerar sem o crescente interesse científico e social em relação ao discurso do ódio, numa sociedade em que o transmedia storytelling aponta para o imperativo de saber reconhecer, usar e operar as multiplataformas. As literacias críticas vão, pois, além da definição clássica de educação para os média. A literacia crítica dos média, além de contemplar o acesso, análise e produção nos média, inclui igualmente olhares sobre relações de poder.


    [O conceito de] literacia crítica mediática tem como objetivo ampliar a noção de literacia para incluir diferentes formas de cultura mediática, tecnologias da informação e comunicação e novos média, assim como aprofundar o potencial da literacia para analisar criticamente as relações entre média e público, informação e poder. Uma abordagem multiperspetiva que aborda questões de género, raça, classe e poder é utilizada para explorar as interligações entre literacia mediática, estudos culturais e pedagogia crítica (Kellner & Share, 2007, p. 59) [1]


    Como aponta o título do livro, procuramos trazer uma reflexão diversificada sobre contextos cívicos, incluindo as literacias cívicas e críticas, sem a intenção de exaustividade sobre estas temáticas, tentando trazer para pistas de trabalho futuro. Em paralelo, pretendemos apresentar propostas práticas que educadores de diferentes naturezas, técnicos que trabalham em associações, famílias, ou outros atores sociais possam usar para pensar a educação para os média."

    Maria José Brites, Inês Amaral & Marisa Torres da Silva



    [1] Kellner, D. & Share, J. (2007). Critical media literacy is not an option. Learn Inq, 1(1), 59-69. https://doi.org/10.1007/s11519-007-0004-2




  4. Crianças, jovens e media na era digital - Consumidores e produtores?

     



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    "[...] Neste sentido, o foco colocado na cultura participativa dos jovens na era digital, para que chamou a atenção Henry Jenkins (2009), enfatiza conceitos que são certamente relevantes e inovadores no estudo das práticas transmediáticas, como navegação, jogo, negociação, multitarefa, desempenho ou cognição distribuída. Mas corre o risco de alimentar uma visão épica quer da tecnologia quer da juventude, menosprezando questões críticas como a propriedade e controlo das plataformas digitais, e inerentes interesses e lógicas de ação de quem detém esse controlo, ou as situações (crescentes) de desigualdade e precariedade de importantes segmentos dos grupos juvenis. Acresce que a celebração que é feita frequentemente, quer na doxa dominante quer mesmo no terreno da pesquisa científica, do valor da produção de per si também carece de ser submetida à análise crítica. É, pois, pertinente a pergunta colocada por Sara Pereira neste seu trabalho: “porque entusiasma tanto esta ideia de serem todos produtores?”. O mesmo se poderá dizer do enaltecimento de ser ativo. Como se não interessasse a substância, alcance e sentido de tal atividade produtiva, seja para o próprio seja para os outros."

    Prefácio. Em busca das pessoas que moram nos produsers, por Manuel Pinto, pág. 10



  5. Regresso à Escola | Receção aos Encarregados de Educação

     

    Receção a uma das turmas de 7º ano, nos Arcos



    Na nossa escola, hoje foi dia da receção aos Encarregados de Educação. 

    No 7º ano, os pais fizeram-se acompanhar dos respetivos educandos. A dar-lhes as boas-vindas, estiveram a Diretora e o Subdiretor da escola, os Diretores de Turma e a coordenadora da Biblioteca Escolar.

    A todos os alunos que agora vão iniciar um novo ano letivo, a Equipa da Biblioteca deseja muitas felicidades, lembrando que o sucesso é fruto do esforço pessoal, pautado pelo estudo continuado, pela persistência e pela resiliência, mas também do trabalho colaborativo, da partilha e da empatia.


     

     

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